Novembro. Dia de finados. Morte. Novembro começa, convidando para comemorarmos, a fazermos memória da morte. Uma comemoração não é vazia de significado, mesmo que ele não esteja patente. Novembro nos convida a olhar a morte e tentar pensar sobre ela.
Um assunto que, aparentemente, é doloroso e dificil de ser tocado por meio das palavras, mas que nos é inevitável. (Será?) É óbvio - nem tanto quanto parece - que a morte física é inevitável por mais que construamos e possamos pagar por tecnologias que podem prolongar nossa existência corpórea. Isso é surpreendente quando penso em quantos de nós já poderiam ter morrido se não fossem as tecnologias criadas pelos humanos, porém há no outro lado da moeda algo que me choca e provoca: enquanto muitos tem a vida prolongada, outros tantos vivem um pouco e o que vivem não tem a qualidade suficiente que, pretensamente, queremos merecer na nossa condição de animais (ditos) racionais.
Sou muito inexperiente para refletir sobre um assunto de tamanha importância, porém minha condição permite que faça mesmo que sem a qualidade necessária e desejada. A morte física é algo do qual não podemos escapar (algo inusitado, quando penso que um dia meu corpo não existirá) e que tem um caráter de pontualidade, uma vez que acontece em um tempo e espaço definidos, com personagens determinados; todavia, me comove a morte pela qual passamos constantemente - e não falo do processo de oxidação do nosso organismo através da respiração. Morremos a cada instante para que possamos continuar vivendo. Enterramos partes de nossos pensamentos, sentimentos e emoções todos os dias para que, ainda assim, continuemos a viver. E precisamos morrer todos os dias porque não conseguiríamos carregar conosco constantemente tudo o que passamos. Todos os dias, nos fazemos novas identidades porque permitimos que a morte alcance nossas representações - aquilo que nos representa e aquilo que utilizamos para que outros sejam representados. Percebo que posso não ser o mesmo de ontem, ainda que exista algo para além de tudo que permita dizer que existo e que sou o mesmo.
A morte é; e, por isso, a vida faz sentido.
Kra.. eu diria que a morte é o maior mistério da vida, aqueles q a experimentam, nunca voltam para contar.. e aqueles que voltam, nunca realmente a experimentaram. É muito estranho pensar a ideia do "nao existir", parece até medonho, mas todos nós já passamos por isso, antes mesmo de existirmos...
ResponderExcluirMorte é uma questao complicada, e a religiao tá aí pra tentar te explicar e confortar....
O negócio é viver sem pensar na morte.. um dia ela vai vir mesmo ne?
aheuahe
assunto amplo..
abração
''O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade.''
ResponderExcluirA morte sempre foi e será um mistério, quase um tabu, para a humanidade. Evita-se até mesmo falar dela, pq a possibilidade de não existir um dia dói e mexe com nossos medos mais intrínsecos... quanto as peqeunas mortes diárias, às vezes podem até ser lamentáveis, mas são necessárias. O ser humano é um eterno re-construir. Bom post, boas palavras. Beijos, Rudolph.