sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Incompletude

“Quando entrar setembro, e a boa nova andar pelos campos.”

Setembro chegou, primavera já vem. O mês muda e com ele a estação. (Qual?)Rapidamente, caminho em direção ao fim do ano e uma pergunta me vem como a letra da música: qual a boa nova, a nova alegria, a esperança que carrego comigo? O que estou colhendo e que plantei outrora? O tempo parece não existir, mas é inevitável. A sua passagem é algo que não se pode deter. Parece não existir, mas nos é real. O tempo que nos enconde na História e que por isso nos faz homens. Somos poeira de estórias. Marcas de vida e realidade no tempo. O tempo cronológico. O tempo relativo. O tempo pessoal. O tempo, sucessivo presente. Presente. Verbo e objeto. É por meio dele que percebo que tudo passa – ainda que não espere pela mudança – mas antes que as coisas passem, elas florescem e frutificam, trazendo alegria. Experiência de beleza. A cada dia percebo com mais clareza que há algo de belo - há algo que precisamos viver - escondido nas coisas vividas: é possível perceber o belo no cotidiano, ainda que ele rompa com o pré-estabelecido ou com o sonhado, com a paradoxal rotina de sonho e realidade. É possível enxergar a beleza nas grandes experiências que nos machucam e fazem sofrer. Nas pequenas experiências que nos fazem sorrir. Perceber a existência. A presença da vida.
Tempo. Primavera. Flores, frutos e amadurecimento. Setembro chega, incompleto. Há algo que falta.

“Primavera soprando um caminho mais feliz”

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