quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Já volto

Nos últimos dias, tenho (re)organizado textos que escrevi há algum tempo a fim de atualizar o blog - depois de bastante tempo de latência. Maturação, espero. Hoje ainda não publico um texto meu, mas um poema escrito por Marina Colasanti que achei por entre folhas de papel copiadas. Indicação de leitura: Fino Sangue, editora Rocco.
Ler Marina Colasanti sempre me impressiona: me impressiona o modo pelo qual uma mulher africana nascida com pés na Europa pode ser tão brasileira e universal. Seus textos são singelos e fortes. Textos femininos.
Marina Colasanti – vale a pena ler.

De caça a caçador
Para alcançar palavras que nos fogem
preciso é acarpetar os passos
velar de espesso véu nosso desejo
e esperá-los
calados,
de tocaia.
Sempre haverá um momento
de descuido
em que a palavra
recolhidas asas
pousará sobre a língua
e será nossa.
Entrementes
há que tomar cuidado.
Assim como as caçamos
palavras há também
em cada esquina
prontas
com unha e dente
a nos saltar em cima.

Nenhum comentário:

Postar um comentário