quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cinemato(grafia)


A sétima arte tem ocupado um lugar nas férias que nunca antes ocupara. Mostra, sessões, leituras e programa de um cinema, quelquefois, inintelígivel e comovente. Porque absurdo. Porque real.

“O nascimento de uma ideia é precedido por uma longa gestação, por um processo inconsciente para o gestante” (Clarice Lispector, in A bela e a fera)

A 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes fez valer a pena o encurtamento de minhas férias em Passos pelos amigos que encontre, por tudo que vi e pelos filmes (de qualidade) que assisti. “Elvis e Madona” se enquadra nesse time.
À primeira vista, o título do filme me fez acreditar que iria assistir um documentário sobre os dois maiores ícones do século XX, da pós-modernidade,a partir de um olhar brasileiro. Ledo engano. Casualmente, li uma breve referência ao longa e descobri que iria assistir a história de outros Elvis e Madona: o filme conta a história entre a lésbica Elvis – que, na verdade,é Elvira – e travesti Madona - interpretado pelo ator Igor Cotrim, ex- A Fazenda – de um modo inteligente e (por que não?) lírico. Pelo desfecho, um verdadeiro conto de fadas do nosso tempo que, como qualquer outro conto de fadas, dialoga com a sociedade em que surge. Por entre linhas e sem ser apelativo “Elvis e Madona” nos pergunta em qual tipo de sociedade queremos viver.
Caberia uma discussão a partir do ponto de vista psicanalítico sobre o filme – que não sei se posso levar adiante – uma vez que sendo a narração de um relacionament entre um homem e uma mulher (biológicos), a relação se dá em outro nível, já que o papel masculino cabe a Elvis enquanto o feminino à Madona.
Um filme leve que discute uma questão tensa, para alguns ramos da sociedade, sem esteotipia e que mostra que sempre é possível escrever uma história de amor.



Um comentário:

  1. Um dos filmes mais inteligentes e encantadores que já assisti!
    Daria uma booa discussão em sala, não Rudolph?! rsrs

    Beeijo!

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