segunda-feira, 27 de julho de 2009

Considerações (muito pessoais) sobre suicídio

"Olhei até ficar cansado de ver os meus olhos no espelho,
Chorei por ter despedaçado as flores que estão no canteiro(...)
A dor vai curar estas lástimas."

?

Suicídio. Em apenas dois meses, dois primos tentaram suicídio: um do lado paterno, outro do lado materno. Dois primos fracassaram na tentativa de pôr fim à vida, além de ficarem com o estigma (familiar) daqueles que quiseram morrer e agiram em direção a isso. Cada qual quis adiantar próprio fim por motivos e meios diferentes. Os motivos são pessoais demais, mas os meios não: a primeira, tomou um coquetel de remédios e se alcoolizou - foi encontrada desmaiada em casa e encaminhada para um hospital -; o outro se alcoolizou, saiu sem rumo pela rodovia e foi pego pela polícia (penso que não queria se matar, mas ser morto por um outro carro.Fracasso.). Fracasso na tentativa de pôr fim em si mesmo e mais um problema para resolver (agora, com o núcleo familiar mais próximo). Por que tentaram se matar?
- Por que as pessoas se matam? - pergunta o aluno, disciplinado.
- Para pôr fim em uma dor maior que o próprio existir. - responde o professor, leigo.
E por que não aceitaram aquela que era, até então, a última vontade de meus primos? - pergunto eu, curioso.
Acredito que suicidar-se é mais que colocar fim, de matar uma dor, pelo contrário é eternizar a dor com a morte do sujeito. Suicidar-se é dar papel de protagonista ao seu próprio sofrimento - um sofrimento que exige que tudo seja coadjuvante à sua atuação. O motivo. Os meios. O próprio sujeito...o eu-sofredor deve prevalecer ainda que tudo sucumba.
Ver dois primos jovens (a mais velha, com 30 anos) tentarem se matar, me faz perguntar quais são as dores que fariam que eu me matasse. Longe de mim! A vida pra mim não é opção, é condição: vivo independente de meu querer... e sou muito feliz assim. Mas posso escolher como vivo. Posso enfrentar as intempéries do meu viver ou me submeter a elas - ainda que me martirize, me puna e sofra, escolho a primeira opção. Acredito que o suicídio pode sinalizar um fracasso no modo pelo qual decidi levar a vida.
Quanto aos meus primos, estão bem (acho, não convivo muito com eles).
Me matar? Nããão.
A vida é boa demais, contudo. Com tudo.

2 comentários:

  1. sim..a vida é boa demais. e acredito que quem tentar acabar com ela nao é porque nao a acha boa. Só esqueceu disso por um tempo, esqueceu de dar valor, de parar pra pensar no que tem.
    se houvesse uma sombra de reflexao antes de tal atitude nao haveriam suicidas, creio eu!
    Além de impensada, considero a atitude de extremo egoismo! Sou eu, insatisfeito! Dane-se quem vai sofrer com a minha ausencia!

    adorando o blog Rodolfo.
    muito bom o texto

    beijos!

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  2. Sempre achei o suícido uma medida muito drástica. No entanto, não julgo quem comete... às vezes pode parecer a única possibilidade quando tudo está imerso em depressão e tristeza. Uma forma um tanto impulsiva e egoísta, mas uma saída. Ainda assim, não deixo de acreditar na resiliência e na capacidade de levantar e seguir, sempre, por mais que doa e pareça tudo perdido. Ótimo texto, querido. Sigo te acompanhando...

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